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Poucos sabem, mas as bases do vinho tem origens na China, em meados de 9000 antes de Cristo. Relatos e evidências históricas mostram que, já naquela época, os chineses faziam bebidas alcoólicas a partir da fermentação do arroz, mel e frutas. As técnicas para a produção das bebidas chinesas foram então transmitidas para os povos do Oriente Médio, mas com uma grande diferença na Geórgia e no Irã: diferente dos chineses, eles utilizavam uvas para a fermentação.

 

A partir de 3000 a.C as bases para a fermentação alcoólica da uva chegaram ao Egito, e alguns historiadores afirmam que os egípcios foram os primeiros a desenvolver uma profunda expertise na produção de vinhos. Isso fica evidenciado nos próprios jarros onde armazenavam o vinho, que constavam sempre com o nome do produtor e o ano em que foi feito.

 

Com o passar dos séculos, o processo de produção do vinho foi sendo incorporado pela Europa e aperfeiçoado por diversas outras civilizações, como os romanos, que inovaram ao armazenar o vinho em barris, facilitando o transporte, e os franceses, que fundaram a vinícola mais antiga do mundo, a Château de Goulaine, ativa ainda hoje.

 

Falando na França, não é segredo que o país é um dos maiores apreciadores de vinhos do mundo. Em especial, a comuna de Bordeaux, na região sudeste, é um dos principais polos produtores do país, devido principalmente à facilidades climáticas e geográficas. Bordeaux possui um solo riquíssimo em calcário e é banhada por dois rios volumosos que, além de facilitar a irrigação, acabam por moderar as temperaturas, propiciando o famoso “clima marítimo” ideal para a produção vinícola de mais alta qualidade.

 

Um desses rios é o Gironde, que atravessa Bordeaux e a divide em duas regiões, cada qual especializada em um tipo específico de vinho. À oeste do rio, o grande destaque é a uva cabernet-sauvignon, originada na mesma região a partir da mistura do Cabernet franc com o Sauvignon blanc. Já a direita do rio a uva dominante é a Merlot, que inclusive é a principal uva da região.

 

O tradicional Merlot de Bordeaux é composto por 70% da uva, 15% de Cabernet Sauvignon e 15% de Cabernet Franc. No geral, tende a apresentar sabor e aroma de frutas vermelhas e taninos suaves. Contudo, suas características variam muito a depender de onde e como a uva é cultivada, o que fez com que muitos caracterizassem o Merlot como um vinho “camaleão”.

 

Por sua vez, o cabernet sauvignon de Bordeaux vai na direção oposta. Composto por 70% da uva, 15% de Cabernet franc e 15% de Merlot, é tipicamente visto como um vinho encorpado e com boa estrutura de taninos, que lhe conferem uma adstringência sólida.

 

Agora que já falamos de uma das regiões mais tradicionais e populares, vamos abordar uma menos conhecida, mas que desde o final do século XX tem ganhado bastante território: a Cidade do Cabo, mais especificamente o Vale de Constantia, na região sudoeste da África do Sul, um dos polos de produção mais antigos de todo o hemisfério sul.

Vale de Constantia na Cidade do Cabo, África do Sul. A Cidade possui algumas das vinícolas mais tradicionais de todo o hemisfério sul.

 

 

Ao longo do século passado a produção de vinhos no país foi bastante prejudicada pelos embargos europeus e americanos. Com o fim do apartheid na década de 90 o país voltou a poder exportar vinhos, o que movimentou investimentos para o setor e gerou uma espécie de renascença na região, que desde o fim do século XIX não via um período tão positivo para a indústria.

 

A maior parte da produção é feita no Vale de Constantia, que assim como Bordeaux apresenta um clima marítimo e produz, principalmente, uvas cabernet sauvignon. A vinícola mais tradicional do Vale é a Groot Constantia, considerada por muitos a melhor em toda a África. Seu Cabernet Sauvignon de 2012, por exemplo, ganhou uma série de prêmios internacionais. Outros vinhos destaque na região são o Chardonnay e o Pinotage.

 

A Pinotage é a uva tradicional da África do Sul, tendo surgido na região no início do século XX após o cruzamento entre as uvas Cinsault, mais robusta e bastante adepta à climas secos, e a Pinot Noir, que lhe atribui tons suaves e uma leve coloração vermelha. Já a uva Chardonnay tem origens francesas, surgindo a partir do cruzamento entre a uva Pinot Noir e a casta Gouais Blanc, mais difícil de encontrar nos dias de hoje.

 

O Chardonnay é a uva branca mais popular do mundo, em especial do Novo Mundo, com vastas produções na Califórnia, no Brasil e no Chile. Este último, inclusive, abriga a Província de Limarí, que a partir dos anos 90 passou a ganhar cada vez mais espaço na produção de chardonnays, além de sauvignons.

Vale de Limarí, Chile. A influência da Cordilheira dos Andes, sempre presente nos horizontes do Vale, é um dos seus grandes diferenciais.

 

 

O Chile é bastante conhecido por sua produção de vinho, sendo um dos países destaque na América Latina. Mas dois grandes diferenciais da região de Limarí, especificamente, são seu solo, rico em cálcio e argila vermelha, e as Camanchacas, uma espécie de neblina costeira que surge pelas manhãs e se dissipa no fim da tarde quando o Sol surge acima dos Andes, esfriando e umidificando toda a região. Aliás, se não fossem as camanchacas a região dificilmente conseguiria produzir uvas, uma vez que não costuma receber muitas chuvas.

 

Essas são apenas algumas das incríveis regiões vinícolas que cada um desses países abrigam. Se você é um amante de vinhos, então não pode deixar de conhecer pessoalmente como alguns dos melhores tintos, brancos e rosés do mundo são produzidos. Entre em contato com a FredTour e faça uma viagem livre de preocupações e com o maior conforto possível! #VivaOExtraordinario!

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